O ciclo do design gráfico.
Apesar da relutância de Do em discutir tendências, ele é uma fonte de conhecimento sobre processos e conceitos de design, sempre disposto a compartilhar sua expertise. E todos, desde estudantes e criativos amadores até proprietários de pequenas empresas e designers profissionais, podem se beneficiar de seus insights.
O ambiente certo
Do diz que tudo começa com a criação de um ambiente que estimule a criatividade e possibilite o fluxo da imaginação. Embora, de várias maneiras, isso tenha sido dificultado devido à pandemia de coronavírus, a crise, por outro lado, ressaltou a importância de “estarmos todos conectados e desconectados” e acelerou a “necessidade de descentralização” no ambiente de trabalho.
“Estamos percebendo que a ideia de que dar mais autonomia às pessoas, sem a necessidade de monitorá-las ou microgerenciá-las, resultaria em menor produtividade — está equivocada,” afirma Do. “As pessoas não precisam mais se deslocar diariamente para o trabalho, podendo maximizar seu tempo produtivo e alcançar um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Acredito que isso seja o principal catalisador de muitos outros aspectos positivos que surgem como efeito cascata.”
Quando as empresas adotam modelos de trabalho remoto e investem no conforto e na felicidade dos funcionários, em vez de gastar recursos com prédios e manutenção, isso beneficia a todos — especialmente os criativos. “Um dos problemas de trabalhar em um grande escritório é a uniformidade,” diz Do. “Mas, em casa, você pode fazer o que for necessário para ser a pessoa mais produtiva possível, e acho que isso é maravilhoso, especialmente para quem trabalha com criatividade."
Trabalhar de casa não significa se isolar do mundo ao seu redor. O impacto e a importância do que está acontecendo no entorno devem influenciar a experiência de design. Além das mudanças no ambiente de trabalho, os últimos anos foram marcados por profundas transformações políticas, culturais e econômicas — desde lockdowns da COVID e movimentos por justiça social até a guerra na Ucrânia, uma possível recessão, eleições importantes e muito mais. Todas essas coisas influenciam o design criativo de forma direta ou indireta, intensificando emoções e facilitando a comunicação com outras pessoas.
“Podemos usar nossa arte e criatividade para demonstrar apoio ou ajudar a ampliar mensagens nas quais realmente acreditamos e com as quais concordamos,” diz Do. “Há muito espaço para as pessoas criativas expressarem frustração, tristeza, conexão, luto, e outros sentimentos, utilizando as ferramentas e os meios que conhecem melhor. E foi isso que vimos.”
É essencial humanizar o design e criar com propósito. Trata-se de comunicar uma mensagem, diz Do, e o design ajuda a fazer isso de forma eficaz — seja utilizando as últimas tendências ou explorando abordagens clássicas e tradicionais.
A mentalidade certa
É fundamental que os designers mantenham o estado de espírito certo para superar bloqueios criativos. Tanto para profissionais quanto para amadores, há diversas técnicas, dicas e ferramentas que podem ajudar a superar os desafios na criação de ideias e no aperfeiçoamento das competências no campo criativo E tudo começa, diz Do, com a escrita.
“Quando você cria algo genuíno e autêntico, que reflete verdadeiramente quem você é — e não estou falando apenas das suas preferências de design, mas de toda a sua história, origem, narrativa, cultura e crenças que moldam sua criatividade — acho que você inevitavelmente se destacará”, diz Do. “Uma coisa que tenho percebido nos últimos 10 anos é o poder de escrever em palavras. Eu sou um designer gráfico tradicional, com formação clássica — achei que tinha escolhido essa área justamente para não precisar escrever. Mas as pessoas que mais se destacam são aquelas capazes de articular seus pensamentos.”
Assim como o designer e artista Adam JK, Do sugere: pegue um lápis e faça esboços primeiro. Esboçar economiza tempo, organiza os pensamentos e estimula as ideias. Use miniaturas para evitar ficar preso em um único estilo de design. Como o ilustrador e autor Timothy Goodman afirma, lembre-se: o conteúdo é soberano. Sua mensagem é tão importante quanto o design final.
“É impactante combinar nossa estética e sensibilidade de design com ideias,” diz Do. “Se nos limitarmos a formas e ilustrações, nosso vocabulário será restrito. Mas, quando conseguimos combinar todos esses elementos – o poder das palavras, sejam escritas ou faladas, com design, tipografia e ilustração – nos destacamos ao expressar um ponto de vista.
Do também incentiva a prática da escrita e registro de ideias. Leia, reaja e forme suas próprias opiniões. “Percebo que, quando leio as ideias de outras pessoas, isso estimula meus próprios pensamentos. Paro por um momento e escrevo o que estou pensando; às vezes, essas ideias não levam a lugar nenhum, mas é bom acumular um reservatório de insights. Assim, quando estou trabalhando em um projeto, posso pensar: Espera aí, eu tenho uma opinião sobre isso.
Escrever é tão importante porque, ao fazê-lo, ganhamos clareza nos nossos pensamentos — ao nos articulamos, obtemos mais reflexão e compreensão. Precisamos praticar isso. Como pessoas criativas, estamos acostumados a criar formas e mover objetos, mas também devemos praticar a escrita.
A tecnologia certa
Depois de criar o ambiente certo e estar na mentalidade adequada, você ainda precisa de ferramentas para dar vida às suas ideias. Mas, não pode ser qualquer uma — e talvez nem sejam recursos que você já saiba usar.
Do usa o exemplo de um martelo. “Ele geralmente é usado para construir coisas, mas também pode destruir, e é muito eficaz em ambos os casos,” diz ele. “Precisamos aprender como usar o martelo, quais são seus propósitos, quando utilizá-lo e quando deixá-lo de lado. Você conhece a expressão — se a única ferramenta que temos é um martelo, todos os problemas parecem pregos. Isso significa que precisamos diversificar as ferramentas e nos familiarizar com tudo o que está acontecendo.”
Ele afirma frequentemente que a reação natural é pensar que todas as novas tecnologias ameaçam as formas tradicionais de trabalhar e realizar as tarefas, o que gera medo.
“O que eu quero é encorajar os criativos a darem uma chance ao novo, antes de terem medo e formarem opiniões rígidas,” diz Do. “Experimentem, explorem, testem, quebrem, mantenham a mente aberta e vejam o que pode acontecer. Aqueles que conseguem aproveitar as oportunidades e criar riqueza e capital para si mesmos quase sempre estão na fronteira entre o que é atual e o que está por vir.
"Eles exploram e avançam, destacando-se no meio da multidão devido à pouca competição e ao grande interesse. É exatamente isso que incentivo as pessoas a fazer."
Do explica a “armadilha” em que os criativos às vezes caem. “Começamos a pensar: Não consigo fazer algo por causa desta ou daquela razão, em vez de perguntar: O que posso fazer com o que eu tenho e no tempo que disponho? Criatividade não é ter todos os brinquedos,” diz ele, “mas tirar o máximo do que você tem. Agora, os designers não têm mais desculpas, porque existem inúmeras ferramentas incríveis disponíveis para nós, muitas delas gratuitas.”
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