Mapa da burocracia no Brasil: onde abrir empresa demora mais?
Um estudo da Adobe Acrobat mostrou que abrir uma empresa no Brasil pode levar de apenas sete horas a mais de 34 horas, dependendo do estado. Apesar dos avanços na digitalização dos serviços públicos, a diferença entre as unidades federativas ainda é significativa: o tempo necessário para formalizar um negócio varia 386% entre os estados mais rápidos e os mais lentos.
O Mapa da Burocracia no Brasil analisa o processo de formalização empresarial em todos os estados brasileiros durante o segundo quadrimestre de 2025 e também avalia o volume de empresas abertas ao longo de todo o ano de 2025.
Quanto tempo demora para abrir uma empresa no Brasil? Descubra quais são os estados e as cidades mais rápidas para formalizar um negócio, onde o processo ainda enfrenta gargalos e como a burocracia varia entre as diferentes regiões do país.
Os últimos anos demonstraram avanços importantes na redução da burocracia. O tempo médio de abertura caiu de 29 horas em 2023 para 21 horas em 2025, uma redução de 28% em apenas dois anos.
No entanto, os resultados mais recentes indicam uma desaceleração desse processo. Nos últimos três quadrimestres, a média nacional permaneceu estável em 21 horas, sugerindo que os principais ganhos proporcionados pela digitalização já foram alcançados. A próxima redução vai exigir mudanças estruturais mais profundas.
O estado também lidera o volume de novos negócios, com aproximadamente 494 mil empresas abertas no segundo quadrimestre de 2025.
O principal desafio não está no excesso de burocracia em si, mas na capacidade operacional da Junta Comercial em acompanhar a elevada demanda.
A etapa de viabilidade em São Paulo leva apenas cinco horas, uma das mais rápidas do país. Nessa fase, são analisados nome empresarial, CNAE e endereço.
Já a etapa de registro empresarial, em que a Junta Comercial arquiva os documentos e integra o processo para emissão do CNPJ, demora cerca de um dia e cinco horas.
Com isso, o tempo total atinge um dia e 10 horas, o pior resultado entre os 27 estados brasileiros.
Os tipos de negócios que dominam o empreendedorismo no Brasil.
Os pequenos negócios seguem liderando o empreendedorismo brasileiro.
Em 2025, Microempreendedores Individuais, Microempresas e Empresas de Pequeno Porte responderam por cerca de 96% de todas as empresas abertas no país.
O MEI segue como principal porta de entrada para novos empreendedores, representando, sozinho, 3,8 milhões de registros no período.
Volume de abertura de empresas 2025 (ano completo)
Indicador
Valor
Var. vs 2024
Minas Gerais apresentou a maior taxa de mortalidade entre os estados. Já Amazonas e Piauí registraram apenas 22%, figurando entre os menores índices.
O principal gargalo do ambiente de negócios no Brasil já não está mais na abertura de empresas, que foi simplificada com a digitalização da Redesim, mas sim na capacidade de mantê-las ativas. Abrir um negócio ficou mais fácil; sobreviver continua sendo o grande desafio.
Em um cenário cada vez mais competitivo, decisões ágeis dependem de acesso rápido à informação. Soluções baseadas em IA generativa para PDF podem apoiar pequenas empresas ao resumir contratos, relatórios financeiros e documentos operacionais, facilitando análises que antes exigiam leitura manual extensa.
Metodologia.
O levantamento foi elaborado com base exclusivamente em dados oficiais do Governo Federal e do Sebrae. A principal fonte foi o Mapa de Empresas, plataforma vinculada ao Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
Foram analisados os boletins quadrimestrais oficiais de 2025, com informações por estados, capitais, regiões e municípios extremos.
Em análises que envolvem grande volume de relatórios, ferramentas que permitem conversar com PDFs ajudam a localizar informações específicas com mais rapidez.
Como fonte complementar, o estudo utilizou dados do Sebrae e do DataSebrae para avaliar o volume de abertura empresarial e as taxas de mortalidade das empresas.
Também foram avaliadas outras bases, mas elas foram descartadas por limitações metodológicas, entre elas o painel mensal da Redesim, dados isolados de juntas comerciais estaduais e o relatório Doing Business, do Banco Mundial, descontinuado desde 2021.